sábado, 14 de junho de 2014
Imaginem a seguinte situação: você é uma criança de 6 ou 7 anos, nascida na década de 50 nos EUA. É surda de nascença e seus pais têm dificuldade de lidar com você, pois não sabem a linguagem dos sinais e nessa época - mesmo nos Estados Unidos - as crianças surdas eram consideradas menos capazes intelectualmente que as normais e não havia um conceito de educação inclusiva ou algo que sequer chegasse perto disso. Incapazes de lidar com a sua condição, mandavam você para um internato religioso, comandado por padres e freiras. Esse era o contexto da maioria das crianças que chegavam à instituição educacional St. John, em Milwakee. Esse também é o ponto de partida para o excelente documentário da HBO "Mea Maxima Culpa: silence in the house of God" de 2012, ganhador de vários prêmios Emmy. O filme de Alex Gibney vasculha uns dos maiores escândalos de pedofilia na Igreja Católica, o qual ficou por décadas sendo tratado com omissão e negligência, inclusive pela alta cúpula da instituição.
O caso das crianças surdas é emblemático pois justamente foram elas, quando adolescentes, as primeiras a denunciar os abusos cometidos no internato. É lamentável constatar a natureza corruptível do homem, a qual contamina muitos dos que se intitulam um dos representantes da fé cristã. É também pesaroso perceber que o poder que cerca uma das religiões mais difundidas do mundo foi construído de forma a permitir a impunidade e a inimputabilidade de atos e pessoas que agem, no tema em pauta, como verdadeiros predadores humanos.
O documentário é perspicaz ao estabelecer conexões que envolvem todas as esferas da Igreja Católica, inclusive as que se ligam ao primeiro Papa que renunciou na história: Bento XVI.
Vejo que o Papa Francisco tem uma missão muito importante no comando supremo da igreja: resgatar a credibilidade da instituição, recuperar os verdadeiros valores que ela representa os quais derivam diretamente da fidelidade aos princípios de Jesus - em uma análise simplista - sem todos os aparatos de vaidade e poder criados pelos homens para "guiar os seus rebanhos". Intuo que o Papa Francisco tenha esse comprometimento, por inúmeros atos - muitos corajosos - que já vêm marcando a sua passagem pelo Vaticano. Que a fé verdadeira esteja sempre em seu coração para que ele tenha a coragem, a humildade e a tenacidade necessárias nessa nobre missão de resgate.
Obrigatório.
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