quarta-feira, 23 de abril de 2014

Os filhos do padre


Humor croata: até então, nunca havia me deparado com ele.  É claro que essa experiência se deu por intermédio do glorioso cinema.  "Os filhos do padre" é uma produção croata de 2013, sucesso de público naquele país e elogiada pela crítica mundial.
O enredo flerta com o surreal e o nonsense a maior parte do tempo, mas seu trunfo reside em nunca perder o foco de constituir-se em uma ácida crítica sobre os poderes da igreja - e de quem a representa - sobre o povo.
Imagine um povoado de uma ilha da Dalmácia.  A rigor, muito pouca coisa acontece por lá.  Os párocos locais são guias dessas ovelhas perdidas e sempre se preocupam com questões como a quantidade de nascimentos x a de mortes, entre outras temáticas "sociais".  Constatando que a população do local não estava muito empolgada em se reproduzir, um desses párocos resolve interferir no livre arbítrio de cada cidadão dalmaciano sabotando a eficiência dos métodos contraceptivos disponíveis.  Pronto, não é preciso falar mais nada, certo?....
Apostando em um humor negro, o diretor Vinko Bresan pareceu muito à vontade em didaticamente mostrar as inúmeras possibilidades de situações - a maioria delas infelizes - que tal decisão de brincar de "Deus" poderiam acarretar.  As cenas se assemelham a esquetes teatrais e exploram a capacidade cômica e dramática dos atores - fenomenais, diga-se de passagem.
Adorei conhecer o jeito croata de fazer humor e perceber que tanto brasileiros quanto croatas podem estar diante de questões muito semelhantes quando se trata de religião e moral.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Amante a domicílio

Em minha humilde opinião, melhor que assistir aos filmes de Woody Allen, é assistir aos filmes nos quais Woody Allen atua. Econômico em relação às suas aparições como ator, Allen resolveu dar as caras em um filme dirigido pelo parceiro de trabalhos anteriores, John Turturro.  O presente, quem ganhou foi o público aficcionado pelo diretor de "Blue Jasmine" e por comédias românticas inteligentes - coisa rara hoje em dia.
A direção de Turturro aparece como uma carinhosa homenagem a Allen.  Desde o jazz charmoso até os personagens sui generis, tudo lembra um filme do grande diretor das comédias do cotidiano.  Há também a temática religiosa, racial e até sexo (ainda que com uma abordagem quase pueril), como sugere o título.
Allen interpreta Murray, um dono de livraria falido que vê na oportunidade de agenciar o amigo Fioravante (Turturro) como garoto de programa, uma salvação para seus problemas econômicos.  As situações que surgem desse argumento simples são interessantíssimas e algumas delas, antológicas.
Prestem atenção em uma sequência em particular: quando Murray é levado a uma espécie de tribunal judaico cheio de rabinos decrépitos a fim de ser julgado por suas práticas pouco ortodoxas.  Hilariante!
Uma delícia de filme - do início ao fim.

domingo, 13 de abril de 2014

Dicas de livros fundamentais sobre cinema

Fiquei muito feliz em receber dois presentões de aniversário: "Cinema: guia ilustrado Zahar", da Jorge Zahar Editor e "Tudo sobre Cinema", da Sextante.

Esta sendo delicioso folhear essas pequenas bíblias sobre a sétima arte!  As duas obras têm formatos parecidos, enfatizando a cronologia dos filmes desde que o cinema foi oficialmente reconhecido como um meio de expressão, o que aconteceu nos idos de 1900, após os irmãos Lumiére terem patenteado o seu cinematographe - a primeira câmera mais elaborada desenvolvida para captar imagens em movimento.

No guia da editora Zahar, além dessa cronologia, temos uma relação dos 100 melhores filmes de todos os tempos.  Ambos os livros têm edições luxuosas, texto claro e lindas fotos, itens obrigatórios para atrair o interesse do leitor.  Seja como manual de consulta ou como leitura mais sistemática, essas obras são muito informativas para todas as pessoas que desejarem aprofundar seus conhecimentos em cinema.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Imagens da segunda cinelândia carioca - o bairro da Tijuca

Que prazer tive ao me deparar com uma compilação de imagens dos dez principais cinemas que fizeram parte da chamada "segunda cinelândia carioca", localizada nos arredores da Praça Saens Peña - Tijuca, entre as décadas de 40 e 90!  Até o "poeirinha" do Bruni, onde vi "The Doors" de Oliver Stone, foi representado.  Tínhamos cinemas luxuosos, cults, poeira, modernos ou acanhados.  Enfim, para todos os gostos.
Há um movimento de apreciadores de cinema moradores da Tijuca que têm trabalhado para a volta dos cinemas de rua no entorno da Praça Saens Peña.  Tijucanos possuem boa cultura cinematográfica e consomem muito esse tipo de arte.  Não é à toa que o Kinoplex Tijuca, volta e meia, bate recordes de público anual, não só em relação ao Estado do Rio, mas também comparado ao Brasil.  E, por isso, não deixa de ser uma triste ironia os seis cinemas do Shopping Tijuca destinarem seus espaços à exibição de filmes blockbusters e ignorarem obras mais independentes ou cult.  Tenho quase certeza que se fizermos uma enquete rápida na fila da bilheteria dos cinemas "Estação", uma quantidade significativa de pessoas é oriunda da Tijuca.  Eu mesma já fiz essa pesquisa informal e, naquele dia, quase 25% dos integrantes da fila eram de tijucanos.
Confiram, os top 10 de salas de exibição da nossa "segunda cinelândia".  E, se você gostaria do retorno dos cinemas de rua ligado a opções culturais e de lazer complementares, como cafés literários, cine clubes, restaurantes e teatros - seja na Tijuca ou no seu bairro - divulgue essa ideia em todos os âmbitos que puder!
O que é bom é atemporal e não deve morrer.
Clique aqui, para ver as fotos dos cinemas da Tijuca publicada no jornal online de bairro do "Globo".