quarta-feira, 23 de abril de 2014
Os filhos do padre
Humor croata: até então, nunca havia me deparado com ele. É claro que essa experiência se deu por intermédio do glorioso cinema. "Os filhos do padre" é uma produção croata de 2013, sucesso de público naquele país e elogiada pela crítica mundial.
O enredo flerta com o surreal e o nonsense a maior parte do tempo, mas seu trunfo reside em nunca perder o foco de constituir-se em uma ácida crítica sobre os poderes da igreja - e de quem a representa - sobre o povo.
Imagine um povoado de uma ilha da Dalmácia. A rigor, muito pouca coisa acontece por lá. Os párocos locais são guias dessas ovelhas perdidas e sempre se preocupam com questões como a quantidade de nascimentos x a de mortes, entre outras temáticas "sociais". Constatando que a população do local não estava muito empolgada em se reproduzir, um desses párocos resolve interferir no livre arbítrio de cada cidadão dalmaciano sabotando a eficiência dos métodos contraceptivos disponíveis. Pronto, não é preciso falar mais nada, certo?....
Apostando em um humor negro, o diretor Vinko Bresan pareceu muito à vontade em didaticamente mostrar as inúmeras possibilidades de situações - a maioria delas infelizes - que tal decisão de brincar de "Deus" poderiam acarretar. As cenas se assemelham a esquetes teatrais e exploram a capacidade cômica e dramática dos atores - fenomenais, diga-se de passagem.
Adorei conhecer o jeito croata de fazer humor e perceber que tanto brasileiros quanto croatas podem estar diante de questões muito semelhantes quando se trata de religião e moral.
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