sábado, 9 de agosto de 2014
Sem evidências
Existem assuntos que quando abordados no cinema, tocam de forma diferente cada espectador. Dependendo da história de cada um, realidade em que se vive e convicções pessoais, um bom filme tem o poder de mobilizar profunda e diferentemente, cada um de nós.
Estou devendo algumas resenhas dos últimos filmes que vi, e, prometo, mencionarei todos àqueles que me chamaram a atenção. Todavia, um em particular, me mobilizou de forma singular.
"Sem evidências" é uma mescla de filme policial e de tribunal que conta a história - real - de três meninos assassinados no estado americano do Arkansas em meados dos anos 90.
Na pequena comunidade onde a história se desenrola, há uma clara precipitação da polícia em apontar suspeitos em um inquérito para lá de tendencioso. O resultado é a soma de uma investigação caduca, clamor da mídia e revolta da população local, a qual revela-se bastante preconceituosa e com conceitos religiosos que beiram o radicalismo.
Nesse cenário, o único que questiona o rumo das coisas é um investigador particular, competentemente interpretado por Colin Firth, que mantém uma investigação paralela e voluntária do caso.
Reese Witherspoon faz a mãe de um dos meninos assassinados, em uma das melhores interpretações de sua carreira, em minha opinião.
Os motivos pelo quais "Sem evidências" me mobilizou sobremaneira, são o fato de ser mãe de um menino que tem exatamente a mesma idade de um dos garotos mortos - o que me remeteu à vulnerabilidade a que estamos submetidos neste mundo, o perigo no qual incorremos quando nos precipitamos por julgar grupos dos quais não gostamos pelo simples fato de estranharmos os seus hábitos e o poder da mídia, que muitas vezes reforça a tendenciosidade de uma situação pois há um clamor popular que lhes beneficia.
A despeito de meus motivos pessoais, "Sem evidências" é um filmaço, com roteiro impecável, ritmo adequado e atuações de primeira. Recomendo e assino embaixo.
sábado, 2 de agosto de 2014
Eu, mamãe e os meninos
Maravilhada com um filme que acabei de assistir: "Eu, mamãe e os meninos." Em uma sociedade em que cada um deve estar classificado em segmentos fixos de gênero (homem, mulher, hetero, homo, trans, etc...), a sutileza perde espaço e quem a carrega, sofre muito com essa forma de ver tudo no "preto no branco". Guillaume Gallienne conta sua história neste filme com sacadas geniais sobre assumir a identidade sexual e o quanto isso é uma exigência da sociedade na qual vivemos. Ele, um menino "afeminado" em um olhar simplista, é criado como tal pela mãe do título. Mas isso não é o suficiente para conferir uma identidade 100% homo à Guillaume. Na verdade, ele se descobre hétero ao iniciar a vida adulta. Mas, eis a surpresa: a sua mãe simplesmente não aceita a sua identidade sexual. Ela continua a atribuir "desculpas" para o fato de Guillaume estar se relacionando com uma mulher. Então: como fazemos quando o preconceito vem às avessas e dentro da própria família? Vejam essa pequena obra-prima do cinema francês e tirem as suas próprias conclusões...
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