sábado, 22 de março de 2014

Observações sobre críticas passionais de filmes

Tenho respeito por certos críticos de cinema.  Suzana Schild é uma delas.  Sensata, faz uma análise muito equilibrada dos filmes que vê, quase sem demonstrar passionalidades. Há outros que parecem fazer questão de "ser do contra".  Quanto mais experimental a linguagem do filme, maior a chance do tal bonequinho do "Globo" aparecer pulando na cadeira.  Há ainda, o que parece ser uma velada guerra entre críticos de veículos diferentes. Várias vezes comparei notas de críticos da "Veja Rio" com as dos profissionais do "Globo" e percebi pólos de análise opostos, tipo bonequinho em pé no "Globo" e duas estrelas (regular) na "Veja".  Por isso, vou conferir as críticas com algumas reservas.  Um pequeno aprendizado obtive: filmes avaliados em categorias extremas, o foram por que agradaram muito (ou desagradaram demasiado) a pessoa do crítico.  Refletem sua identificação ou desidentificação extremas.  Aí mora o perigo da excessiva intromissão do gosto de cada um.
Diante do panorama de avaliações muito conflitantes sobre a mesma obra por críticos diferentes, tomo a decisão de conferir o filme.  "Bonequinhos" saltitantes podem ser perigosos quanto à palatabilidade da obra assistida, a não ser em unanimidades incontestáveis como os mais brilhantes "Almodóvar" entre outras películas.
Recentemente vi dois filmes avaliados em categorias extremas pelo "Globo": "Ninfomaníaca vol.2" (bonequinho abandonando o cinema) e "Até o fim" (bonequinho aplaudindo de pé).
Sinceramente, não vejo que tenha sido para tanto, em ambos os casos.  Na pior das hipóteses, "Ninfomaníaca vol.2" é um filme de Lars Von Trier, que convenhamos domina a arte da imagem - técnicas escolhidas para filmar e direção de atores são alguns de seus méritos, por exemplo.  No mais, o filme repete o formato de "Ninfomaníaca vol.1", sem tirar nem por, ainda que com algumas forçações de barra desnecessárias no roteiro.  Como é que o 1 ganha boneco aplaudindo e prestando atenção e no 2 o boneco abandona o cinema?
Já "Até o fim", mostra um ator seguro - Robert Redford - interpretando um homem sozinho em apuros no mar.  Sacadas bonitas de metáforas visuais da pequenez do homem no meio do mar (e no universo, é claro), e a sua obstinação até o fim.  E é isso.  Ao meu ver, mereceria uma categoria mais contida.
Mas, sabe-se lá o que passa em nossas cabeças quando as passionalidades são ativadas....

4 comentários:

  1. Até que enfim consegui um tempinho prá conferir seu blog! Estou me deliciando!

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pela sua participação no blog! Que aqui seja um momentinho de sonhar longe da rotina cotidiana. Beijão.

    ResponderExcluir
  3. Acabei de ler todas as suas sinopses! Muito legal mesmo!
    E, para constar: me identifico demais com os críticos da Veja. De um modo geral, gosto de tudo o que eles indicam.
    Parabéns pelo blog!!!

    ResponderExcluir