Quem está nessa faixa de idade lembra de alguns "best sellers" da madrugada de sábado da Globo. "Sessão de Gala", "Corujão 1" e "Corujão 2" eram obrigatórios para amantes do cinema em incubação, muitos deles, menores de idade. Sim, eu era uma integrante desse grupo de hábitos notívagos e ao mesmo tempo caseiros que emendava um filme no outro, durante toda a madrugada de sábado.
No tempo em que TV a cabo era somente uma realidade nos EUA, a madrugada de filmes da Globo era um oásis de prazer cinematográfico.
Como sempre gostei de ficar acordada até tarde desde a tenra idade, os horários esdrúxulos dos Corujões eram perfeitos para conhecer diretores, atores e atrizes estupendos e outros nem tanto. Muita coisa trash passava. Mas, era delicioso também!
Foi lá que eu conheci o inesquecível "Crepúsculo dos Deuses", "O Selvagem", com o ma-ra-vi-lho-so Marlon Brando, o diretor Elia Kazan, por meio de suas obras-primas "Juventude Transviada" e "Vidas Amargas", Marilyn Monroe como mulher-objeto em seus primeiros filmes, o mestre Alfred Hitchcock através de "Janela Indiscreta" e "Um corpo que cai" e tantos outros símbolos da mais pura cultura cinematográfica moderna. Mas a descoberta mais marcante foi a que fiz no filme de John Huston - "Freud - além da alma". Ali, defini a profissão que iria escolher. Naquela madrugada mágica, me vi fascinada pelo método investigativo criado por Freud para dissecar o inconsciente. Na didática obra de Huston, encontrei o meu fazer futuro e desde então, nunca houve um momento de arrependimento. Salve o cinema - aliás, o bom e velho cinema.
Obrigada aos produtores de "Sessão de Gala" e "Corujão" que optaram por apresentar filmes tão marcantes, ricos e diversos em suas programações. Uma pena que as novas gerações não tenham acesso a essa pluralidade na TV aberta dos dias atuais.


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