sábado, 8 de março de 2014

"O Lobo de Wall Street"


Esse ultra polêmico filme de Martin Scorsese, vem arrancando comentários opostos por onde passa. Ora acusado de apologia aos excessos, ora visto como crítica à ganância, "O Lobo de Wall Street" possui características do mais legítimo Scorsese - a lente de aumento sobre o distorcido no ser humano, aquilo que é nada edificante e que todos nós possuímos, ainda que saibamos (a maioria), como controlar esse lado obscuro. Quem acompanha a obra desse incrível diretor, percebe a sua "tara" por desvendar o psicopata que pode residir em qualquer pessoa ou grupo social. É só lembrar de "Taxi Driver" e "Casino". Algumas pessoas de moral cristã mais arraigada podem se chocar com essa abordagem escancarada do personagem Jordan Belfort, um corretor da bolsa que venceu com métodos nada ortodoxos. Todavia, se nos concentrarmos no fato de que tudo o que é mostrado é a mais pura verdade (Jordan existe e o filme é baseado em sua autobiografia), tomaremos a obra como ponto de reflexão sobre os limites (ou a falta deles) no ser humano. E, ainda que muitas vezes cômico, pode tomar contornos trágicos e patéticos. Ah! Leonardo de Caprio entrou, definitivamente, para a galeria dos grandes atores americanos. Esse filme não deixa qualquer dúvida quanto à sua competência dramática.

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