sábado, 8 de março de 2014

"12 anos de escravidão"



Hesitei em escrever essa resenha, pois o filme me trouxe várias emoções pungentes e, assim, achei por bem deixar passar um tempo para escrever de forma mais equilibrada e imparcial.
A expressão que achei mais adequada para descrever meu estado de espírito durante todo o filme foi "nó na garganta". A história é simples, baseada em eventos reais contados em um livro de 1853, escrito pelo protagonista da trama. Solomon Northup é um homem negro que vive em liberdade com a sua família em Saratoga, Nova York. Ele era violinista, sabia ler e escrever e possuía um nível cultural elevado. Sua família vivia em harmonia com as outras famílias brancas da região e aparentemente eram tratados com respeito e igualdade. Pois bem: eis que um belo dia, Northup é convidado para tocar em turnê, proposta feita por dois sequestradores que se passavam por artistas. Solomon viaja, é dopado, vendido como escravo e enviado para o sul dos EUA. O filme inicia provocando assombro no espectador, e a partir daquele momento, o que se vê é uma luta interna diária do protagonista, ora quando por instinto de sobrevivência se vê subserviente ao extremo, ora quando explode em ódio por ter que esquecer seu passado, sua profissão e até sua família. Chiwetel Ejiofor é o ator que interpreta Solomon Northup. Poucas vezes presenciei em um ator relativamente desconhecido uma segurança e domínio de cena desconcertantes. Solomon é herói mas é homem, é egoísta mas também é misericordioso. Divino e mortal.
O diretor, Steve McQueen, domina o espectador todo o tempo, fazendo metáforas entre o som tenebroso das barcas do Mississipi e o medo que assola todos aqueles homens e mulheres. Estão lá também o lamento em forma de canto que virou blues, e a linda música negra. Preparem seus corações e suas mentes. Recordem que qualquer ato de inferiorização do homem pelo homem é abominável e injustificável. É isso o que - além dos inúmeros predicados técnicos - esse filme me fez sentir, tal como um nó na garganta.

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