
Nada convencional, é fato. É um cinema totalmente autoral, pois o diretor faz escolhas muito peculiares e até polêmicas para contar a sua história. Não é um mero filme GLBT, que levanta bandeiras, ainda que elas apareçam no filme - estão lá a intolerância, o preconceito, o conflito para assumir o desejo; mas também estão lá, a difícil passagem da adolescência para a vida adulta, a rotina a qual nos sentimos presos, e, principalmente, a vivência do amor que julgamos ser "O Definitivo". O amor homo-afetivo que pode ter a face ousada e anti convencional ou extremamente conservadora, aquela que replica papéis heterossexuais definidos ao longo do século XX. Será que vivenciar o amor por meio de uma vida a dois nos coloca sempre diante de situações arquetípicas, quais sejam, a possessividade, a busca por estabilidade em um modelo familiar tradicional entre outros dilemas? O filme me suscitou essas questões. Todavia, é um filme rico em interpretações, pois prima por filmar com realismo e naturalidade surpreendentes, fato que leva o espectador à liberdade para ter interpretações pessoais. O desempenho das atrizes é definitivo, único - não é à toa que quase chegaram à total exaustão. Sim, há as tão comentadas cenas de sexo entre as personagens que beiram o explícito, o que pode incomodar alguns, e até chegaram a me fazer pensar que são um pouco longas e excessivas. Mas minha dica é: não se impressionem tanto, pois a história simples e tão universal que o filme mostra é, surpreendentemente, muito mais que isso ainda que o diretor tenha optado por frisar a conexão erótica entre as duas personagens. Afinal estamos diante de um filme autoral.
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